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Approach Green

22/6/2010

Quando o lixo não é lixo


Parafraseando os Titãs, todo os dias nos deparamos com a “melhor tecnologia dos últimos tempos da última semana”. Tentando acompanhar o passo acelerado das inovações, nós consumidores nos mostramos cada vez mais ágeis na hora de adquirir uma das maravilhas com monitor de LCD.  Quando você acabou de comprar seu MP3, uma benção tecnológica que tira foto e tudo, chega seu vizinho com aquele “MP387” e o seu aparelho “indispensável” torna-se uma tralha eletrônica que qualquer mamífero bípede com polegar opositor do período pré-histórico seria capaz de usar. É angustiante saber que em segundos seu blackberry pode ficar com cara de máquina de escrever. “Quinze minutos de fama, descanse em paz”, diz a canção de Branco Mello e Sergio Britto.

 

Mas será que é possível descansar em paz sabendo que anualmente produzimos 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico mundo afora? Esse foi o número levantado pelo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O fato é que a vida útil dos aparelhos tornou-se curta diante da criação acelerada de produtos, que não param de encher as prateleiras físicas e virtuais.  Você consegue imaginar onde estará o computador do qual você acessa esse site daqui a 2 anos? Provavelmente entre as 97 mil toneladas de lixo eletrônico produzido no Brasil, segundo os dados da ONU, pois o surgimento de novas funcionalidades vai estimular o desejo dos consumidores ávidos por satisfazer as necessidades de seu tempo.

 

Mas, calma. Você não precisa virar um bitolado tecnológico e privar-se das maravilhas do mundo pós-moderno e sua geração y, mas é importante lembrar-se que o consumismo é um dos maiores inimigos da sustentabilidade. Cada um de nós alimenta anualmente lixões e aterros com alguns quilos de bugigangas eletroeletrônicas - de rádios de pilha a geladeiras, passando por TVs, PCs, impressoras, celulares e suas baterias cheias de substâncias perigosas que ameaçam água, solo e ar. Reduzir o consumo é imprescindível, sim, mas é bom lembrar que o que parece lixo pra você, pode servir pra outro, então o jeito é reciclar!

 

Empresas, ONGs e o governo começam a se mobilizar para dar um fim responsável aos resíduos sólidos. Uma opção é doar para instituições que possuem projetos de inclusão digital. A Alterdata Software, desenvolvedora de sistemas de gestão empresarial, está doando os computadores obsoletos para a ONG PC Vida, que recebe os resíduos e fica responsável por reciclar e reutilizar os descartes de materiais eletro-eletrônicos. As doações permitem a remanufatura dos eletro-eletrônicos, propiciando a criação de diversas  oficinas: montagem,  manutenção de equipamentos, inclusão digital, info-alfabetização, profissionalização e até oficinas de arte. Legal, né?

 

Já faz parte de projetos de políticas públicas a Logística Reversa que é a devolução dos produtos para os fabricantes, que devem se responsabilizar pela reciclagem ou reuso dos aparelhos. O objetivo é fazer com que esse material retorne ao seu ciclo produtivo ou para o de outra indústria como insumo, evitando uma nova busca por recursos na natureza e permitindo um descarte ambientalmente correto. Algumas empresas já estão investindo na ação, pena que não na mesma velocidade em que despejam tantos produtos no mercado.

 

Então quando você abrir sua bolsa e se deparar com um celular, um MP3 e uma câmera fotográfica e quiser trocar por um 3 em 1 e algo mais, lembre-se de dar um destino mais nobre para seus aparelhos que um dia já lhe foram tão úteis. Pois, já que as aparências enganam e “o gênio da última hora, é o idiota do ano seguinte” (um bis pros Titãs), aquele seu aparelho moderno de hoje pode ser o velho de amanhã, mas a reciclagem e o consumo responsável são uma aposta certeira pro futuro.

 

Links interessantes:


ONG PC Vida
www.pcvida.org
Comitê de  Democratização da Informática
www.cdi.org.br
Sucata Eletrônica
www.sucataeletronica.com.br
Lixo Eletrônico
www.lixoeletronico.org
Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir) - USP
http://www.cce.usp.br/?q=node/266
CEMPRE
www.cempre.org.br/eletroeletronicos

 

Por Bruna Velon


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