9/7/2010
Mão de obra para construção
Peninsula: demanda de mão de obra constanteCrédito: Tatiana Coura
Com Copa do Mundo e Olimpíadas, a demanda por mão de obra vai crescer e, de acordo com o perfil sócio-demográfico da massa operária que trabalha hoje nos canteiros de obras, a perspectiva de uma grande pressão nos meios de transportes públicos é real. A escassez de mão de obra impacta, ainda, na migração de um grande número de trabalhadores que, aliados ao precário sistema de transporte e ausência de habitações sociais próximas ao local de trabalho, acabarão, fatalmente, se fixando nas favelas, principalmente na região da Baixada de Jacarepaguá, onde se concentra grande parte dos equipamentos para os jogos.
Três empresas do mercado imobiliário — Carvalho Hosken, RJZ e Dominus — realizaram pesquisa com 385 trabalhadores de seus canteiros de obras (na Baixada de Jacarepaguá) para traçar o perfil sócio-demográfico dessa massa operária. O resultado aponta para uma população na faixa dos 18 aos 49 anos, com baixo grau de escolaridade e remuneração média de 1,5 salário mínimo. A amostragem revela, também, que parte considerável deles mora em comunidades carentes e distantes do local de trabalho, o que gera um custo elevado com o deslocamento diário dos trabalhadores. Essa situação aponta para desdobramentos ainda mais preocupante num futuro próximo, decorrente do aumento da demanda por este tipo de mão de obra para as instalações da Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.
É senso comum a necessidade de acompanhar a realização, desde já, das melhorias de infraestrutura que constam no caderno de promessas para as Olimpíadas 2016, como o traçado das linhas “Transcarioca”, novo nome do Corredor T-5, linha segregada de ônibus que ligará a Barra da Tijuca à Penha, e a “Transoeste”, corredor expresso que vai ligar a Barra da Tijuca à Guaratiba. E, somados a isso, medidas adicionais como o desenvolvimento de pólos sociais próximos aos canteiros de obras.
Na década de 70 esse cenário já se apresentava. Obras como a do metrô e da ponte Rio-Niterói, além dos incentivos da Caixa Econômica Federal para a construção civil, geraram o êxodo de milhares de operários, em sua maioria nordestinos, para suprir a falta de mão de obra local. Hoje o mercado não pode mais contar com esses trabalhadores. As forças sindicais, tanto do nordeste quanto do sudeste, se fortaleceram e são os operários do Rio de Janeiro que precisam suprir essa demanda por mão de obra.